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História do Mercado Futuro



O mercado futuro é uma ferramenta essencial para a economia de um país, porque possui como sua principal função auxiliar produtores, cooperativas, torrefadoras, agropecuárias, indústrias e demais envolvidos do setor a conseguirem se proteger das oscilações dos preços das commodities. A bolsa tem com um dos principais objetivos a criação de mecanismos que a tornem  atraente, pois se faz necessário manter uma liquidez interessante e saudável, para sempre que alguém quiser comprar ou vender se consiga contraparte a preços justos para o momento.

O mercado brasileiro ainda está em desenvolvimento e seu volume ainda é pequeno se comparado com a principal bolsa do mundo CBOT  (Chicago Board of trade). Apesar disto existem commodities no Brasil que oferecem grandes oportunidades e possuem liquidez para operações tanto de curto prazo, quanto para prazos maiores.

Ao longo dos anos surgiram vários planos de proteção ao setor agropecuário, à medida que esses instrumentos de manutenção de preços foram ficando insustentáveis, novos instrumentos baseados no conceito de mercado futuro começaram a progredir.

Uma das principais estratégias para reduzir a volatilidade de preços comumente usada nos EUA por produtores, cooperativas, processadores e traders, é o hedge com contratos futuros. Por meio dessa estratégia os produtores e cooperativas vendem contratos futuros para se defenderem de eventuais quedas de preços, ao passo que os agentes que buscam proteção contra aumento de preços compram contratos futuros.

Tales de Mileto – O primeiro Trader Futuro

Por incrível que pareça os primeiros indícios de mercado futuro iniciaram com Tales de Mileto, que foi o primeiro filósofo ocidental que se tem notícia. Ele foi o marco inicial da filosofia ocidental. De ascendência fenícia, nasceu em Mileto, antiga colônia grega, na Ásia Menor, atual Turquia, por volta de 624 ou 625 a.C. e faleceu aproximadamente em 556 ou 558 a.C..

Além de filósofo era matemático e astrônomo e certa vez foi questionando sobre a utilidade de sua profissão, que não vinha a gerar renda alguma para o mesmo, porém sempre defendeu que seu objetivo de vida não era ganhar dinheiro, mas caso quisesse poderia ganhar tranquilamente. Sendo assim decidiu provar para seus conterrâneos e como excelente astrônomo que era, previu uma ótima safra de azeitonas. Com a convicção de que a safra seria boa tales alugou muito antes da safra todas as prensas da região a um preço baixo, prevendo assim que os produtores precisariam das mesmas para esmagar sua produção e fazer azeite. Conforme havia previsto, a colheira foi farta e ele voltou a alugar as prensas com preços altíssimos,  comprovando que, com suas previsões futuras poderia ganhar dinheiro, obtendo assim um bom lucro.

A partir do século XII surgiram os primeiros relatos de negociações de preços futuros, pois já existia a preocupação com a oscilação da cotação das commodities. Nesta época durante as feiras já haviam pessoas interessadas em arbitrar negociações para uma data futura.

Primeira Crise causada por especulação

Bolhas das Tulipas

Ocorreu por volta de 1634-1637 na Holanda e foi a primeiro relato de euforia causada por especulação em um mercado. A flor Tulipa é originária da antiga Pérsia, na região que atualmente pertence a Turquia e foi levada para a Holanda no século XVI, onde iniciaram as pesquisas para obtenção de novas variedades. A flor era item raro e de grande cobiça, logo tida como símbolo de poder e riqueza, sendo que no século XVII eram comercializados bulbos de tulipa com valor unitário entre 1 mil a 3 mil dólares. Sendo que esta quantia era suficiente para adquirir pelos menos duas casas completas.

Para gerir os fabulosos negócios envolvendo a tulipa, foi criada na Holanda a primeira bolsa de que se tem notícia. Numa determinada época a flor chegou a atingir preços estratosféricos (foi o 1° boom de que se teve notícia). Muitos holandeses chegavam a vender tudo que possuíam para comprar os bulbos de tulipa importados da Turquia.

Por um único bulbo de tulipa eram capazes de dar bens valiosos como toneladas de trigo e centeio, manadas de bois, ovelhas e pratarias. O caso mais grave que se tem conhecimento foi de alguém que trocou quase 5 hectares de terras por uma única flor.

Até que um certo dia, porém – assim reza a lenda –, um marinheiro embriagado comeu a tulipa do tipo mais caro que existia e, todos ficaram estupefatos, de início, para depois caírem em si e finalmente entenderem que o preço estava irracionalmente alto e que de fato, uma tulipa não poderia custar tão absurdamente cara. Um dos negociantes da época resolveu então vender tudo o que tinha, bulbos e raízes, no que foi seguido por outro, e outro… Ocorrendo assim a primeira grande queda da história das bolsas. Os resultados foram cruéis e a tulipa acabou formando uma torrente de desesperados falidos pelo excesso de oferta.

Era o estouro da bolha especulativa…

O pânico se instalou, veio uma crise e depressão econômica.

Este movimento de bolha ocorre seguidamente no mercado financeiro. Recentemente ocorreram com as ações da Mundial (MNDL4), que subiram absurdamente, observe a semelhança no gráfico abaixo:

 

CBOT (Chicago Board of Trade) onde tudo começou

A Chicago Board of Trade foi formada em 1848 por um grupo de empresários que queriam trazer mecanismos de proteção para o mercado de grãos do Centro-Oeste dos Estados Unidos. Os preços agrícolas sofriam ciclos muito fortes de alta e de baixa. No inverno quando o grão ficava escasso o preço subia e na época da colheita Chicago ficava inundada com grãos, o que fazia com que os agricultores tivessem de aceitar preços extremamente baixos. Alguns agricultores em protesto preferiam queimar a sua soja como combustível, ao invés de entregá-la a preços tão baixos. Alguns produtores ao descobrirem que não podiam obter preços justos para o milho e o trigo acabaram por jogá-los no lago Michigan ao invés de pagar para transportar e guardar.

Tendo em vista todos estes protestos a câmara de comércio começou a oferecer aos agricultores uma forma de obter garantia para seus produtos antes do tempo, oferecendo assim contratos futuros. O produtor na época do plantio poderiam negociar o preço que receberia pela colheita, tendo como contraparte grandes compradores de grãos.

A Chicago Board of trade foi constituída por 25 conselheiros que se reuniam em uma loja de animais. Seus diretores não eram todos com ligação ao mercado de grãos, entres eles existiam donos de mercearias, comerciantes de hardware, banqueiros, livreiros, farmacêuticos entre outras ocupações. No inicio dos trabalhos as negociações não eram muito ativas, então o Conselho começou a oferecer almoços grátis para atrair as empresas.

Chicago estava se tornando o mercado de grãos predominante no Centro-Oeste dos Estados Unidos. Com a criação da primeira ferrovia começaram as trocas entre as outras regiões do país, logo Chicago era um centro ferroviário que vinha a possuir as dez maiores ferrovias e também uma centena de trens que entravam e saíam da cidade todos os dias. Utilizava-se um canal que ligava a cidade ao tráfego fluvial e conduzia ao Mississippi. A grande estrutura logística contribuiu para Chicago ser uma referência, tornando-se um centro nacional e até internacional de commodities agrícolas em 1850.

Em 1855 o governo francês, que era grande comprador de grãos, abandonou sua prática de compra de grãos em Nova York e foi para Chicago, dando mais força ainda para a cidade. Até 1856, a CBOT tinha cerca de 150 membros e então precisou mudar-se para um novo endereço. Em 1859, a legislatura de Illinois concedeu à CBOT, uma carta, que permitiu-lhe a autoridade de governar a si mesma. A CBOT tornou-se uma instituição muito popular no final da década de 50, ela tinha estabelecido um novo sistema de classificação de grãos, que ajudara o mercado a funcionar melhor. No sistema antigo, diversos agricultores de grãos tinham que ser inspecionados em muitos pontos durante o processo de venda, para se ter certeza de que os grãos eram da qualidade e da limpeza que diziam ser, se um agricultor de grãos armazenava seus lotes com outros agricultores e fossem grãos de diferentes qualidades, acabavam por se misturar e  afetando o que vinha a afetar o preço mais tarde. A Câmara de Comércio criou um sistema novo, onde os grãos eram classificados antes do armazenamento e colocados todos no seus respectivo silo. Observe que começaram a surgir assim a padronização dos grãos, origem do termo commodity. O agricultor recebia um recibo x quantidade de grãos de x qualidade. Assim, o agricultor ficava seguro da qualidade de grãos para revenda e também a confiança de que a qualidade do seu grão não tinha sido afetada pelo armazenamento promíscuo. A padronização facilitou o comércio de grandes volumes de grãos, em vez da compra e venda de sacos reais de trigo ou milho, os corretores poderiam trocar os recibos. Logo eles começaram vigorosamente a negociação de futuros de grãos. Para o agricultor, o contrato futuro era a garantia de um determinado preço em um vencimento futuro. Os especuladores também poderiam comprar um contrato futuro, apostando que eles poderiam ganhar dinheiro com isso, vendendo mais tarde, se o preço mudasse.

O surgimento do Mercado Futuro deu-se a partir de uma necessidade que os produtores enfrentavam com os preços, sendo que atualmente, principalmente no Brasil, ele é visto como um mercado de especulação, onde apenas pessoas que queiram obter ganhos financeiros o utilizam. Os produtores no Brasil tendem a expandir muito. Vêm surgindo novas gerações com uma postura um pouco menos conservadora, o que tem trazido uma evolução aos processos de produção, comercialização, distribuição e para alguns, garantias de preços.

A Chicago Board of Trade (CBOT), que constitui-se na mais antiga e mais importante bolsa de commodities agrícolas do mundo. O corpo social da bolsa é composto por mais de 3.600 membros que negociam mais de 50 diferentes contratos de futuros e opções em pregões viva-voz e eletrônico. Em 2006 a bolsa superou a marca dos 805 milhões de contratos negociados.

Inicialmente a CBOT negociava apenas commodities agrícolas tradicionais como milho, soja e trigo. Atualmente os contratos de derivativos financeiros e índices superam o volume de negociação destas commodities. A bolsa atua com ponto central mundialmente reconhecido para formação de preços nas commodities do complexo soja e milho (também para alguns tipos de trigo).

Evolução CBOT hoje CME GROUP

Fonte site CME GROUP

Atualmente a CBOT pertence ao CME GROUP, que abrange outras bolsas americanas ampliando assim a gama de contratos negociados, alguns deste contratos são:

Taxa de juros:

Utilizada para administrar o risco de taxa de juros no curto, médio e longo prazo, com produtos baseados em eurodólares, títulos do Tesouro dos EUA, swaps de taxas de juros, derivativos de crédito (CDS) e outros instrumentos baseados em dólar.

Índice de Ações:

Abrange toda a gama de índices de pequena , média e grande capitalização nos Estados Unidos, Europa e Ásia. São negociados os contratos mais conhecidos de índices, como S&P 500, Dow Jones Industrial Average, NASDAQ – 100, Nikkei 225 STOCK Average, MSCI EAFE, FTSE/XInhua China 25, entre outros.

Câmbio:

Utilizado para quem deseja se proteger das oscilações cambiais e são negociadas 41 contratos futuros baseados em dezenove moedas globais, inclusive as principais moedas de países em mercados emergentes.

Commodities:

Disponibiliza uma ampla gama de contratos futuros de grãos, gado, sementes oleaginosas, laticínios, madeiras e outros produtos. Estes produtos estão sujeitos a grande oscilações de preços que são influenciadas por variações climáticas, pragas, decisões políticas, oferta e demanda mundial, ou seja, fatores difíceis de serem controlados.

Contratos negociados CBOT

  • Soja
  • Óleo de Soja
  • Soja América do Sul
  • Farelo de Soja
  • Milho
  • Etanol
  • Aveia
  • Trigo

Outras Bolsas americanas

Chicago Mercantile Exchange (CME)

  • Manteiga
  • Bacon
  • Leite
  • Queijo
  • Bezerro
  • Madeira
  • Celulose
  • Uréia

New York Mercantile Exchange (NYMEX)

  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Suco de Laranja

Nybot (ICE)

  • Cacau
  • Café
  • Algodão
  • Suco de Laranja
  • Açucar
  • Etanol

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