Com o cenário climático ameaçando a segunda safra brasileira de milho, os preços do cereal já começam a reagir de forma bastante expressiva no mercado nacional. Somente no pregão da última segunda-feira (30), os futuros do milho negociados na BM&F subiram de 1,5%- apesar da leve baixa do dólar -, com os ganhos mais intensos sendo registrados nos contratos referentes à safrinha.
Ao se comparar com 30 de janeiro, o vencimento maio/18, que tem a última referência em R$ 40,08 por saca, acumula uma alta de 22,20% e, em relação a 23 de março, de 6,17%. Ao considerar o julho, o ganho em relação ao mês passado é de 7,36% e o último preço é de R$ 39,40. Já ao analisar o setembro, que fechou o último pregão com R$ 39,00, é possível ver um saldo positivo mensal de 12,72% e uma alta acumulada nos últimos quatro meses de 22,26%.
E essa deve ser a tendência para os preços do grão, ao menos por enquanto, como explicam analistas e consultores de mercado.
Os preços vêm se recuperando das baixas recentes, quando o mercado sentiu a pressão de uma oferta ainda com os compradores ligeiramente mais retraídos e com os vendedores vindo a mercado com um pouco mais de frequência.
“No entanto, algumas praças, especialmente as consumidoras, registraram reações nos últimos dias, impulsionadas por especulações quanto ao desenvolvimento das lavouras de segunda safra e pela valorização do dólar frente ao Real. Produtores também se retraíram na última semana do mês, firmes quanto aos valores de venda, atentos ao desenvolvimento das lavouras e no aguardo de melhores oportunidade de negócios, principalmente para exportação”, diz o Cepea em seu boletim diário desta segunda.
O atual cenário muda também o ritmo da comercialização no Brasil, especialmente entre as vendas a futuro. A incerteza sobre o potencial efetivo das lavouras faz com que os produtores evitem novas operações de hedge, mas, ao mesmo tempo, traz os compradores ao mercado na tentativa se defenderem de novas altas e para garantirem sua oferta, como explica o consultor em agronegócio Ênio Fernandes, da Terra Agronegócios.
“As projeções climáticas trazem enormes preocupações à cadeia produtiva do milho. Demandadores e origens com foco no clima”, diz Fernandes. “É importante lembrar que cerca de 35% da segunda safra de milho foi plantada fora da janela ideal. Então, o risco é muito grande”, completa o consultor.

Mapa do Inmet mostra os baixos acumulados de chuvas nos últmos 5 dias – Fonte: Inmet
Para Fernandes, ainda é cedo quantificar a perda total da safrinha de milho, porém, afirma que é necessário que as lavouras do Centro-Sul do Brasil, que é a região onde a situação é mais crítica, precisam de chuvas consideráveis pelos próximos 10 ou 12 dias. “E os mapas não indicam essas chuvas”, diz.
Milho safrinha em Brasilândia do Sul/PR
O mesmo diz a consultoria AgRural, citando como as áreas mais preocupantes no Paraná e Mato Grosso do Sul.
“Ainda não é possível, entretanto, mensurar o impacto da estiagem na produtividade (no oeste). O tempo também está seco no norte do Paraná, mas a situação ainda não preocupa tanto porque a região tem plantio mais tardio”, afirmou a empresa à agência de notícias Reuters.

Acumulados de chuvas nos últmos 15 dias – Fonte: Inmet
Como relata o consultor de mercado Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, os negócios no mercado interno, diante desse cenário, se mostram bastante pontuais e escassos nas principais regiões produtoras do país. Os vendedores estão retraídos e acreditam que podem encontrar a frente oportunidades ainda melhores de venda, principalmlente na exportação.
No entanto, lembra ainda que uma demanda interna mais tímida em função do mau momento no setor de proteínas animais – por conta dos problemas com a União Europeia – também deverá ser considerada e observada.
“Com menor alojamento de pintos, vamos para consumo menor de ração e, desta forma, a saída do milho será a exportação, que seguirá compradora e pagando R$ 10,00 acima do que pagava no ano passado”, diz o consultor.
Antes do feriado do dia do trabalho comemorado nesta terça-feira, 1º de maio, e que deixou o mercado parado no Brasil, o último preço do milho no porto de Rio Grande era de R$ 38,50 por saca, referência da segunda-feira (30). Ao se comparar com 30 de janeiro, a alta acumulada é de 26,23% e de 13,24% ao se comparar a 29 de março.
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