Os futuros do café arábica na Bolsa de Nova York na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) encerraram a sessão desta sexta-feira (10) com queda próxima de 50 pontos. O mercado externo recuou nos últimos dias com pressão do câmbio e rolagens de posições no terminal. Na semana, a baixa acumulada foi de 1,61%.
O vencimento setembro/18 encerrou a sessão com queda de 65 pontos, cotado a 107,00 cents/lb e o dezembro/18 registrou 110,05 cents/lb com recuo de 70 pontos. Já o contrato março/18 anotou 113,30 cents/lb com desvalorização de 65 pontos e o maio/19, mais distante, teve baixa de 55 pontos, cotado a 115,65 cents/lb.
O mercado do arábica completou no dia a terceira queda consecutiva após ter subido no início da semana. Segundo informações da Reuters internacional, operadores apontam o enfraquecimento do real ante o dólar norte-americano como um dos principais fatores de pressão para as cotações.
O recuo do real pressionou os preços e encorajou o hedge de produtores, disseram participantes do mercado para a agência de notícias.
O dólar comercial fechou o dia com alta de 1,59%, cotado a R$ 3,8640 na venda, em sessão marcada por forte aversão ao risco no cenário internacional. A moeda estrangeira mais alta tende a encorajar as exportações, mas pesa sobre os preços externos. O Brasil é o maior produtor e exportador de café do mundo.
O Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café) divulgou nesta quinta-feira (09) que as exportações do Brasil em julho totalizaram 2,03 milhões de sacas de 60 kg com alta de 27,5% ante o mesmo mês do ano passado. A entidade considera o saldo positivo mesmo diante de problemas observados na movimentação de carga nos portos e navios.
Durante a semana, operadores externos também estiveram atentos à próxima safra. “Lavouras de arábica no Brasil estavam começando a registrar estresse devido à falta de chuva nos últimos meses. Voltará a ficar seco no final de semana. Os meses que antecederam o inverno também mais secos, e essa secura está afetando as árvores”, disse o analista e vice-presidente da Price Futures Group, Jack Scoville.
A colheita da safra atual está em finalização de colheita e o mercado já revisa as expectativas. “As ideias são de que a safra está um pouco superestimada em 60 milhões de sacas e o transporte do café para os portos continua sendo prejudicado pelos altos custos do frete deixados na esteira da greve dos caminhoneiros que terminou há alguns meses”, explicou Scoville.
A colheita de café da safra 2018/19 dos cooperados da Cooxupé (Cooperativa dos Cafeicultores de Guaxupé), maior do grão no mundo, chegou a 72,1% até a última sexta-feira (03), segundo levantamento divulgado nesta quarta-feira (08) pela entidade. Os trabalhos no campo ainda continuam atrasados em relação aos últimos dois anos.
Os negócios com café seguiram isolados após aquecimento na semana passada. “Para o arábica, alguns negócios foram fechados nos últimos dias, devido à necessidade de caixa de alguns produtores; porém, a expectativa também é de que sigam mais calmos nas próximas semanas, com produtores da variedade concentrados nas entregas de negócios futuros”, informou o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada, da Esalq/USP).
As vendas de café no Brasil da safra 201/19 chegaram a 38% até o dia 7 de agosto, segundo levantamento da Safras & Mercado, em uma safra projetada em 60,50 milhões de sacas. Segundo o analista da consultoria, Gil Carlos Barabach, a comercialização de café no país seguiu ativa ao longo de julho, primeiro mês da temporada comercial 2018/19.
O café tipo cereja descascado registrou maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com saca R$ 470,00 e alta de 1,29%. Foi a maior oscilação no dia dentre as praças.
O tipo 4/5 registrou maior valor de negociação em Franca (SP) com saca cotada a R$ 445,00 – estável. A maior oscilação no dia dentre as praças ocorreu em Poços de Caldas (MG) com alta de 1,15% e saca a R$ 440,00.
O tipo 6 duro anotou maior valor de negociação em Guaxupé (MG) com alta de 1,39% e saca a R$ 437,00. A maior oscilação no dia nas praças verificadas ocorreu em Araguari (MG) com avanço de 2,38% e saca a R$ 430,00.
Na quinta-feira (09), o Indicador CEPEA/ESALQ do arábica tipo 6, bebida dura para melhor, teve a saca de 60 kg cotada a R$ 423,83 e alta de 0,78%.