Apesar de outra safra gigantesca no Cinturão do Milho dos EUA, de tensões comerciais e da desvalorização da moeda brasileira, os preços dos grãos estão relativamente firmes no mercado internacional. Para que se sustentem em patamares mais baixos, é preciso que as condições de uma tempestade quase perfeita bear-market persistam, o que é improvável. O Bloomberg Grains Spot Index acumulava alta de quase 2% do início do ano até 28 de agosto, impulsionado pelo trigo. Os preços agrícolas de modo geral acumulam queda de quase 5%, devido ao tombo do real e do recuo de 20% nas cotações das soft commodities. O retorno total diminuiu por causa de acentuados contangos, mas há sinais de melhora. A curva de contratos futuros de um ano para o trigo puxa o movimento das principais commodities na direção inversa ao contango (conhecida como backwardation).
Embora a produtividade do milho nos EUA seja a melhor da história, o preço está apenas ligeiramente menor do que um ano atrás e o preço médio anual está mais alto. A soja preocupa, mas o comércio global deve se ajustar. Aparentemente, o pior para as soft commodities está próximo, considerando o recorde em posições vendidas.
Ainda há espaço para piora nos preços de milho, soja e trigo?
Os preços dos grãos podem indicar que o pior já passou, mostrando resiliência apesar de outra safra gigantesca nos EUA, das tensões comerciais e do tombo do real. O clima adverso sustenta o trigo, compensando a fraqueza da soja devido a tensões comerciais. Ainda assim, o Bloomberg Grain Spot Index subiu quase 3% em 2018.
Quadro dos grãos lembra movimento de recuperação de 2002
Os grãos divergem diante da tempestade quase perfeita para redução dos preços. Apesar da promessa de outra safra excepcional nos EUA, das tensões comerciais e do colapso do real, o Bloomberg Grain Spot Subindex subiu quase 2% desde o começo do ano até 28 de agosto. Firme, o trigo compensa a fraqueza da soja, enquanto o contexto mais amplo sugere que os preços logo encontrarão um piso. As estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) para a razão entre estoques e demanda global de milho, soja e trigo parecem ter atingido o ponto máximo, de modo similar ao ocorrido há cerca de duas décadas.
A leve alta dos preços dos grãos — dentro do intervalo de cinco anos mais estreito na história do índice — sinaliza um rompimento. A cotação abaixo do custo de produção limita queda adicional, assim como a diminuição da renda. A estimativa do USDA para a renda dos fazendeiros é a menor em 12 anos.






