O presidente Jair Bolsonaro deixou Israel na manhã desta quarta-feira, 3, com a missão de angariar o maior número possível de parlamentares para votar a favor da reforma da Previdência. “Missão cumprida aqui. Tenho audiência às 8h30 na quinta-feira com parlamentares”, disse o presidente a jornalistas no hotel em que se hospedou em Jerusalém, antes de ir para o aeroporto rumo ao Brasil.
Bolsonaro demonstrou disposição em ceder em sua proposta de reforma, já que considera o Congresso “soberano para fazer polimentos” e tirar “alguma coisa” do texto. “Isso (conversas com parlamentares) eu tenho que enfrentar, mas conheço a maioria dos parlamentares. Não tenho problemas em dialogar com eles, não”, comentou. Ele disse que não sabia ainda com quem seria a primeira audiência no retorno ao País.
Segundo Bolsonaro, a ideia é “jogar pesado” na reforma da Previdência. “Se der certo, tem tudo para fazer o Brasil decolar.” Nestes dias em Israel, ele mostrou preocupação, no entanto, com a possibilidade de as alterações propostas pelos deputados acabarem “desidratando” o projeto original.
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), já sinalizou que a capitalização do sistema previdenciário e mudanças na aposentadoria rural e na assistência a idosos de baixa renda (BPC) não devem passar no Congresso.
“A gente gostaria que passasse como chegou, mas sabemos que vai ter mudanças. Não existe projeto que não tem mudança, é coisa rara acontecer isso aí, ainda mais um projeto tão amplo, como é o da reforma da Previdência”, observou. Segundo o presidente, não é questão de abrir mão da proposta enviada ao Legislativo. “O deputado que eu fui durante 28 anos, na ponta da linha, sabe onde o calo dele aperta e questiona seu líder, e chega no Rodrigo Maia: ‘Essa questão aqui, se não tirar, a gente vota contra o projeto como um todo'”, disse.
O presidente voltou a dizer que a boa reforma da Previdência é aquela “que passa”. Ele não quis entrar em detalhes sobre pontos aos quais o governo faria vista grossa se os deputados resolvessem fazer alterações. “Quem vai bater o pênalti é a Câmara dos Deputados e, depois, o Senado.”
Segundo ele, o próprio PSL é um partido de formação de base. O presidente também disse contar com votos da bancada ruralista, conforme indicou a ministra da Agricultura, Teresa Cristina, assim como os da área de saúde. “Hoje em dia você não vê deputado reclamando do ministro da Agricultura. Antigamente, quando tinha problema, procurava o ministro e, se não era do partido dele, não tinha prioridade. Isso acabou. A gente espera isso deles”, argumentou.
Fonte: Agencia Estado