Cafeicultores precisam se reestruturar para sobreviver

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A cafeicultura paranaense chegou num momento de decisão. A atividade – que é intrínseca à história do Estado – vive um momento em que não há mais alternativas a não ser passar por uma reestruturação. Alguns problemas já vêm se arrastando há anos: diminuição da área de plantio, custos de produção altíssimos – principalmente para quem não tem condições de investir em tecnologia – e preços de comercialização em patamares preocupantes. Mas o que estava ruim chegou em estado de calamidade: a geada de julho interferirá diretamente nos números da safra do ano que vem. Quem permanecer na cultura vai ter que aplicar capital e se de dedicar ainda mais.

A situação é complicada, mas há uma saída. Mesmo ainda longe do ideal, a produtividade das lavouras paranaenses cresce timidamente e, quando comparada aos números nacionais, não é de todo ruim. Isso significa que aqueles que ainda apostam nos cafezais estão procurando alternativas para lucrar, aumentando a produtividade, qualidade, diminuindo os custos de produção e, principalmente, investindo na mecanização. Além disso, claro, o governo federal tomou algumas medidas esta semana, que mesmo não sendo ideais, devem dar fôlego ao produtor.

O coordenador estadual da Câmara Setorial do Café, Paulo Franzini, estima que hoje existam por volta de 12 mil cafeicultores no Paraná, grande parte deles atuando em áreas pequenas, com cerca de oito hectares. Ele explica que do ano 2000 para cá, os preços estiveram em patamares ruins até 2008 e foram melhorando gradativamente até os ótimos valores de 2011. Em 2012, voltaram a piorar e este ano estão péssimos.

De acordo com os números do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura (Seab), a média é de R$ 278,42 para a saca de 60 kg do produto beneficiado. Em 2011, o valor era de R$ 417,09/saca. “Com os preços de comercialização próximos ao de produção, a área acabou reduzindo drasticamente, somando apenas 65 mil hectares. Por outro lado, a média de produtividade veio crescendo e chegou a 23 sacas por hectare. O problema é que esta produtividade precisa ser ainda maior já que os preços estão muito ruins. Para equilibrar a balança custo de produção versus comercialização, hoje é preciso produzir pelo menos 35 sacas por hectare”, estima Franzini.

A matemática é simples: o aumento de produtividade faz com que o custo por saca diminua. Por isso, quem continua apostando na atividade, deve estar ciente que é importante investir em tecnologia, mesmo quando os preços de comercialização não são favoráveis, como aconteceu este ano. “Com os preços caindo, muitos deixaram de investir. Isso acaba se tornando um círculo vicioso, já que quando você deixa de apostar em tecnologia, a produtividade volta a cair.”

Questionado se a cafeicultura ainda é viável em meio a este cenário nada atrativo, Paulo Franzini não titubeia. Ele ressalta que se tudo for feito da maneira adequada, a cultura pode ser 2,5 vezes mais rentável que a soja, por exemplo. “Porém, a cafeicultura precisa ser tratada como as outras culturas. São três fatores para sua viabilidade: produtividade média de 40 sacas por hectare, maior grau de mecanização e qualidade do produto, que inclui a gestão da propriedade. Quem não fizer isto, pode abandonar os cafezais.” É difícil, mas há uma luz no fim do túnel.

Folha de Londrina
Autor: Victor Lopes

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