Continuamos nossa jornada rumo ao Sul do estado de Illinois, onde observamos que as lavouras se alternam em muito ruim e ruim. Em poucas áreas se vê a soja com um aspecto melhor. A soja ficou muito mais baixa que o esperado e em alguns casos se vê o chão entre as linhas.
Com todos que falamos a realidade relatada é a mesma: perdas de 20 a 30% na soja e perdas de 50 a 60 % no milho. Na propriedade do Jerry, que planta 1100 ha de milho e 700 ha de soja, já foram colhidos 220 ha de milho e, a média, foi de 50 sacas de milho/ha sendo que ele tem uma média de 160 sacas de milho nos últimos 10 anos. Sorte que o Jerry fez seguro de 85% da sua lavoura.
A realidade tem sido esta dos produtores: uma expectativa muito baixa de colheita no milho e uma quebra não tão acentuada na soja. Onde houve área de rotação as culturas estão melhores, claro que as regiões se diferem e em El Paso, Illinois, por exemplo, choveu mais que em outras regiões e a quebra deve ser menor, mas mesmo assim ainda é alta.
Visitamos Rob Shaffer que é produtor e vendedor de seguros e insumos agrícolas. Ele só planta soja convencional pela qual recebe 4,5 dólares a mais por saca e isto o estimula a não plantar transgênicos. Ele diz que a soja convencional tem dado 100 dólares a mais de receita por hectare que o transgênico.
Rob nos disse que o seguro será a grande salvação da maioria dos produtores, aliado ao fato de terem tido três safras muito boas com altas rentabilidades. O seguro nos EUA funciona e em muitos casos o produtor vai receber mais de indenização pelo seguro do que seu faturamento na safra anterior.
O seguro leva em consideração a média colhida nos últimos 10 anos. Por exemplo, se um produtor tinha produtividade no milho de 200 sacas por ha e ele fez seguro de 85% terá segurado 170 sacas; se ele colher 100 sacas de média ele receberá uma indenização de 70 sacas/ ha.
Claro que a receita do produtor vai depender de por quanto ele vendeu o que colheu e a opção que ele fez ao fazer o seguro, ou seja, a data que ele escolheu como base de preço, pois se o produtor escolheu como base outubro ele vai receber com o preço em alta e neste caso não terá prejuízos.
O que importa é que nos EUA o seguro funciona e os produtores têm a opção de se proteger, claro que muitos irão passar por muita dificuldade, mas a maioria não irá quebrar por causa da maior seca dos últimos 50 anos, porém, sem dúvida, muitos produtores irão sair da atividade, principalmente os mais velhos que estão cansados e não querem passar por todo esse estresse.
GLAUBER SILVEIRA, e demais componentes da expedição, percorre os estados por meio do Projeto Soja Brasil, uma iniciativa da Aprosoja Brasil e do Canal Rural.