A forte demanda global pela soja dos Estados Unidos manterá os preços da soja firmes nos próximos meses após recente recuo das máximas recordes do início de setembro, apontou a consultoria com sede em Hamburgo Oil World nesta terça-feira.
Os importadores globais terão poucas alternativas a não ser competir pela escassa oferta dos Estados Unidos depois das fracas colheitas do Brasil e da Argentina no início deste ano, ressaltou.
“Os preços da soja têm apenas um escopo limitado de baixa, uma vez que os exportadores dos EUA encontram demanda persistente, principalmente da China”, disse a Oil World.
A soja nos EUA atingiu o recorde de 17,9475 dólares por bushel em 4 de setembro, uma vez que a pior seca em mais de meio século afetou as lavouras dos Meio-Oeste, depois de o clima seco já ter afetado safras do Brasil e Argentina neste ano.
Mas os preços caíram do pico por esperanças de que a chuva do mês passado tenham ajudado as lavouras de soja dos EUA.
O relatório do Departamento de Agricultura do país (USDA), de quarta-feira, é muito esperado, já que trará a indicação mais recente do tamanho da safra.
Os preços farelo também recuaram das máximas recordes vistas neste verão (no hemisfério norte).
“Os preços parecem ter encontrado uma resistência na alta, uma vez que a demanda está sofrendo com a erosão da rentabilidade no setor pecuário”, disse a Oil World.
Há crescentes sinais de que os criadores de animais estão reduzindo os plantéis uma vez que a alta da soja e do milho neste verão no hemisfério norte puxa os custos da ração.
“Como a soja, o farelo tem um potencial limitado de baixa, ao menos até o início de 2013, considerando que a atípica baixa produção global de farelo ganhará força nos próximos meses”, acrescentou a consultoria.
As exportações de soja do Brasil entre setembro e dezembro de 2012 provavelmente devem cair para apenas 2,5 milhões de toneladas, contra 7,4 milhões de toneladas no mesmo período do ano passado, segundo a Oil World.
Na opinião da consultoria, restrições às exportações de alguma forma não podem ser descartadas no Brasil para conservar a oferta doméstica.
Estados Unidos e Brasil concorrem pela posição de maior exportador mundial de soja.
O Brasil começou a importar soja da vizinha Bolívia e a Oil World estima que as 250 mil toneladas de soja e 340 mil toneladas de farelo da Bolívia deverão ser importados entre agosto de 2012 e fevereiro de 2013.
Fonte: Reuters