Os governadores dos Estados da Carolina do Norte e do Arkansas enviaram petição ao governo federal norte-americano pedindo a suspensão da mistura obrigatória de etanol à gasolina. O pedido tem como objetivo frear a alta dos preços do milho, cereal utilizado por criadores de animais para ração. As cotações do milho têm disparado, atingido máximas recordes nas últimas semanas, devido à seca extrema que atinge grande parte dos Estados Unidos.
Na petição, a governadora da Carolina do Norte, Beverly Perdue, argumentou que a destinação de milho para produção de combustível está causando dano direto à indústria pecuária, aumentando o custo de produção de alimentos e esgotando ainda mais a oferta de grãos, que já está altamente restrita. O documento, com data de 14 de agosto, foi enviado à Agência de Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do país.
Tanto Beverly quanto o governador do Arkansas, Mike Beebe, pediram à EPA que suspendesse a mistura obrigatória até 2013. Funcionários da EPA não foram localizados para comentar o assunto.
A petição dos dois dos governadores vem na sequência de pedidos semelhantes feitos por representantes de pecuaristas e parlamentares federais. Na semana passada, os governadores de Maryland, Martin O’Malley, e de Delaware, Jack Markell, mandaram uma carta conjunta à administradora da EPA, Lisa Jackson, apoiando o apelo dos criadores de animais.
A Norma de Combustível Renovável apoiada pela EPA requer que cerca de 15 bilhões de galões de etanol, cuja maior parte é derivada do milho, sejam misturados à gasolina este ano. Conforme o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, cerca de 40% da safra de milho norte-americana deve ser destinada à fabricação de etanol.
O grupo de produtores de etanol Growth Energy contestou a reivindicação dos governadores.
– Não é a indústria do etanol que está causando o dano econômico, mas sim a “Mãe Natureza”, especificamente a falta de chuva e as temperaturas altas recordes. São eles os verdadeiros culpados dos preços das commodities, algo que nem a EPA, nem qualquer órgão do governo é capaz de corrigir – disse Tom Buis, executivo-chefe da associação, em comunicado divulgado na terça.
A EPA tem autoridade para suspender a mistura obrigatória de etanol à gasolina se for demonstrado o prejuízo grave à economia de um Estado, região ou dos Estados Unidos como um todo.
AGÊNCIA DO ESTADO