Para economista, BC quer aproveitar cenário global para testar juros menores
A inflação deve fechar o ano entre 5% e 5,5%, acima do centro da meta. Mas, na avaliação do economista da PUC Luiz Roberto Cunha, o BC está perseguindo a meta de 4,5% como objetivo de longo prazo e vai testar juros reais mais baixos.
A inflação dos alimentos preocupa. Teremos, como em 2010, uma alta de 10%?
O cenário é parecido. A alta das commodities internacionais, como milho e soja, está pressionando os preços. Mas acredito que, dessa vez, teremos impacto menos intenso e menos duradouro do que em 2010.
Chegar ao centro da meta não é mais possível este ano. Será em 2013?
Na última ata do Copom (Comitê de Política Monetária), ficou claro que o Banco Central (BC) espera uma convergência para a meta de 4,5% a longo prazo, de maneira não linear.
Acredita que os juros subirão no ano que vem?
Pela visão do governo, a taxa real de juros vai permanecer neste patamar por muito tempo (a taxa Selic está em 7,5% ao ano; com inflação próxima de 5%, a taxa real situa-se em 2,5% ao ano). O BC viu essa janela de oportunidadeem que os juros estão negativos em boa parte do mundo e está testando a possibilidade de ter juros reais mais baixos.
As previsões para o IPCA em 2013 são próximas de 5%, ainda acima da meta…
Parece que o BC tem uma meta informal, que seria de 5,5%. Fechar 2013 em 4,5% é muito menos provável.
Fonte: o Globo