O preço do milho, que desde o início da colheita, no final de maio, apontava uma elevação, começa a apontar uma estabilidade em agosto motivada pela falta de compradores. Porém, sobre os preços indicados atualmente para a comercialização e que serão transportados somente no final do ano, já se tem um diferencial em relação à paridade para exportação. O preço sobre os US$ 8,11/bushel na paridade exportação, em Sorriso, está em R$ 23,14/saca, porém o preço médio indicado na semana no município foi de R$ 20,10/saca. Essa diferença de R$ 3,04/saca, dentre outros fatores estratégicos de negócio, pode ser em grande parte influenciada pelo aumento de frete
já previsto para o futuro, no caso no final de 2012. Considerando um diferencial de R$ 3,04/saca chega-se ao valor de R$ 50,67/t, que, se somado ao valor de frete praticado entre Sorriso e Paranaguá, de R$ 235,00/t, chega-se ao valor projetado de R$ 285,67/t, que, se comparado ao maior valor histórico praticado para o percurso, de R$ 220,00/t em março de 2010, são 29,9% de aumento. O frete, que hoje já compromete R$ 17,05/saca do preço pago no porto, pode aumentar e constituir o fator determinante para a continuidade do avanço da produção do cereal em Mato Grosso.
MERCADO INTERNO: Depois da finalização da colheita do milho no Estado, os produtores se atentam para a comercialização do grão. Com a estimativa de alta dos estoques no país a tendência de queda nos preços aparece no mercado e em Mato Grosso. Os preços tiveram ondas de oscilações durante o mês de agosto, com o aumento nos valores justificado pela redução da produção dos Estados Unidos, com a estiagem e uma elevada demanda mundial. A queda nos preços que aconteceu na primeira quinzena do mês se deve à falta de negócios nos municípios de Primavera do Leste e Sapezal. A última semana de agosto encerra com uma ligeira queda no mercado interno, fechando a R$ 20,80/sc em Sapezal e em Primavera do Leste a R$ 23,20/sc.
OFERTA E DEMANDA: O mais recente relatório da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) publicou o último levantamento de agosto para o milho no país. Haverá um aumento de 6,7% nos estoques iniciais para o milho 2ª safra 2011/12. Segundo o relatório, a produção foi 26,8% maior que a da safra passada. Essa produção será o suporte das exportações, que devem aumentar 50,3%. Uma demanda aquecida mantém o mercado de milho com liquidez. As importações devem cair 34,6%. O consumo interno deve atingir 4,4% de alta. Os estoques finais chamam a atenção por serem recorde, 14,6 milhões
de toneladas para esta safra, o que representa uma alta oferta no mercado brasileiro, refletindo no mercado interno. Esse estoque final elevado deverá influenciar os preços do cereal nos próximos meses, que, com grande oferta, a pressão sobre os preços deverá ser maior.
FONTE: IMEA