Plano de logística pode abrir corredores de exportação CCRO3.SA OHLB3.SA

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O plano de investimentos em rodovias e ferrovias do governo federal chegará a importantes fronteiras agrícolas e abrirá novos corredores de exportação de produtos brasileiros.
Alguns importantes trechos de rodovias podem ter ficado fora do plano de investimentos de 133 bilhões de reais anunciado na semana passada, e a necessidade de alguns trechos de ferrovias previstos são questionados.
Para especialistas do setor de transportes consultados pela Reuters, apesar de tardio, o projeto é um grande avanço para a infraestrutura brasileira.
“O plano é bem-vindo, mas temos que esperar para ver se funciona porque os PACs não funcionaram”, afirmou o Coordenador do Centro de Excelência em Logística da Escola de Administração de Empresa de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (GVcelog), Manoel Reis, referindo-se ao Programa de Aceleração do Crescimento.
Para ele, a grande preocupação é o que os 10 mil quilômetros de ferrovias no plano devem ser as primeiras Parcerias Público-Privadas (PPPs) do governo federal.
“Depois de oito, nove anos falando de PPP, o governo federal não fez nenhuma, e de repente vai fazer 10 mil quilômetros de ferrovias. Acredito que a presidente Dilma Rousseff tem uma clara noção de que o grande problema até hoje era de capacidade de implementação”, disse Reis.
O mais recente programa do governo prevê investimentos em ferrovias de 91 bilhões de reais e contempla uma mudança profunda em relação a licitações anteriores, nas quais uma empresa conquistava a operação e transportava ela própria as cargas.
Desta vez, haverá um leilão para escolher a empresa que construirá e cuidará da via férra. Mas a capacidade de carga será comprada pela estatal Valec, que a revenderá aos interessados.
“Os investimentos chegarão ao Maranhão, Piauí, oeste da Bahia, Tocantins, a mais nova fronteira agrícola do Brasil. Não sabemos se lá a produção não é maior porque não há infraestrutura ou se a infraestrutura é pequena porque não há produção”, observou a coordenadora do Esalq Log, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz, da Universidade de São Paulo (USP), Priscilla Nunes.
“O pacote ajuda a resolver o problema, mas até que tudo isso vire realidade no nosso dia a dia deve levar cinco, dez anos, em uma previsão otimista.”
Para o consultor de logística da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Luiz Antonio Fayet, o plano ajuda a desenvolver o chamado “Arco Norte”, que engloba os sistemas portuários da calha do Amazonas, de Belém (PA) e de São Luís (MA).
“Se conseguirmos viabilizar o Arco Norte, com obras em rodovias, ferrovias e portos, os produtores poderão ter um ganho de dois dólares por saco de grãos”, calcula Fayet.
Como parte relevante da produção agrícola já está nas fronteiras agrícolas do Norte e do Centro-Oeste, a exportação de grãos pelos portos do Norte seria mais econômica do que seu deslocamente até os portos do Sul e Sudeste.
Além disso, avalia o consultor da CNA, os portos do Norte estão mais próximos do Canal do Panamá e, consequentemente, dos mercados da Ásia. “Esse pacote enxergou essas coisas e começa a resolver o problema.”
Em rodovias, os investimentos devem totalizar 42 bilhões de reais, com a concessão de nove lotes federais à iniciativa privada. Entre elas estão estradas em regiões agrícolas do Centro-Oeste e Norte, como a BR-163 no Mato Grosso e a BR-153 entre Goiás e Tocantins.

FORA DO PLANO
O primeiro leilão de concessão do pacote de infraestrutura deve acontecer ainda em 2012. A expectativa do governo é licitar em dezembro o trecho mineiro da BR-116. Em janeiro de 2013, será a vez da ligação de Brasília (DF) a Juiz de Fora (MG) pela BR-040.
Para os outros sete trechos de rodovias a serem concedidos pelo governo, a previsão é publicar o edital em março e fazer o leilão em abril de 2013.
“Todos os trechos são muito importantes e foram muito bem estudados, mas anteriormente eram também previstos outros dois trechos: a BR-381 em Minas Gerais e a BR-470 em Santa Catarina. Ambas têm bom volume de tráfego e precisam de investimentos”, afirmou o presidente da Associação Brasileiras de Concessionárias de Rodovias (ABCR), Moacyr Duarte.
“O maior impacto será em Minas Gerais, com três rodovias, o que faz todo o sentido porque lá está a maior malha do Brasil”, disse Duarte. “O Brasil ainda tem muito o que fazer, a iniciativa do governo é louvável, mas é uma melhoria do que já existe. É também preciso ampliar a malha rodoviária.”
O professor de engenharia de transportes e coordenador do mestrado em logística da PUC-Rio, José Eugênio Leal, por outro lado, acredita que os nove trechos de rodovias são satisfatórios, mas em ferrovias isso não acontece.
Para Leal, trechos de ferrovias como os anéis ferroviários de São Paulo, a ligação para o Porto de Santos e os trechos no Centro-Oeste garantirão a melhoria das exportações brasileiras.
“Mas não vejo necessidade de uma ligação entre Recife e Salvador, ou entre São Paulo e Rio Grande. E como tudo isso vai se integrar com as linhas já existentes e concedidas?”, questiona o professor.
Para o professor Reis, da FGV, seria necessária ainda uma ligação ferroviária até o Acre. Além disso, um trecho entre Ilhéus (BA) e Uruaçu (GO), que já está em processo de desenvolvimento mas não entrou no pacote, também é extremamemente necessária “porque coloca mais um porto no sistema brasileiro”.
“Espero que (a presença da Valec) não signifique o governo reassumir as ferrovias, é um risco muito grande que já se mostrou um desastre no passado. Mas esse novo modelo é mais eficiente, é uma mudança positiva”, disse.

REUTERS

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