Retração de investimentos externos no Brasil é temporária

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A deterioração do quadro internacional é o principal fator para a atual desaceleração da entrada de recursos estrangeiros no Brasil, mas os juros menores e as perspectivas de crescimento mais fraco também estão afetando a atratividade do país.
Mesmo assim, especialistas consultados pela Reuters entendem que esses efeitos devem ser temporários, principalmente sobre os investimentos em portfólio, como ações e títulos. Já o Investimento Estrangeiro Direto (IED) deve sofrer um pouco mais com os reflexos da desaceleração da economia mundial, que acaba ressaltando problemas estruturais do Brasil.
“A perda de atratividade do Brasil é momentânea. Estamos passando por um momento macroeconômico ruim no mundo, que faz com que os investidores precisem tirar dinheiro daqui”, afirmou o economista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira.
O fluxo cambial tem mostrado forte desaceleração da entrada de capital no país. No acumulado do ano até 3 de agosto, último dado disponibilizado pelo Banco Central, a entrada líquida de recursos estava em 23,712 bilhões de dólares, quase 60 por cento a menos do que em igual período do ano passado. (Full Story)
A conta financeira –por onde passam os investimentos estrangeiros diretos e em portfólio, entre outros–, evidencia a fuga do capital estrangeiro do país neste ano. Enquanto no acumulado de 2012 o saldo está positivo em 4,333 bilhões de dólares, no mesmo período de 2011 o superávit era de 32,654 bilhões de dólares, uma retração de 86,7 por cento.
Para Vieira, essa desaceleração é temporária, mas a entrada de investimentos externos não deve retomar os altos níveis vistos no ano passado em breve.
“No curtíssimo prazo, ou seja, nos próximos três meses, não vejo retorno do investimento para níveis mais altos. Na verdade, temos de esquecer 2012 e olhar para 2013 e 2014”, afirmou ele.

JUROS MENORES
Uma série de dados econômicos ruins tem deixado os investidores cautelosos na hora de fazer apostas. A crise da dívida da zona do euro, que começou afetando países periféricos, já mostra sinais de contágio nas principais economias do bloco, como Alemanha e França, prejudicando o crescimento mundial.
Como uma das medidas de impulsionar o crescimento, bancos centrais globais estão afrouxando sua política monetária, reduzindo as taxas de juros com o objetivo de incentivar o crédito e o consumo. E o Brasil está seguindo essa linha.
O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC já diminuiu a taxa básica de juros oito vezes desde agosto do ano passado, levando-a para seu menor nível histórico, de 8 por cento ao ano.
“Nós sofremos mais que os outros com o cenário externo, pois somos muito dependentes do capital europeu. E as projeções mais baixas de crescimento também tiram um pouco do brilho do país”, afirmou o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso de Lima.
Juros menores também afetam a atratividade do país, sobretudo o capital especulativo, que vê seu rendimento menor.

SEGURO APESAR DE PROBLEMAS
Embora o Brasil seja um país com política e economia sólidas –características que pesam na hora de o investidor escolher um local para alocar capitais com prazos mais longos–, a crise internacional está destacando problemas mais estruturais.
“Estamos um país muito caro e por isso perdemos um pouco do impacto que tínhamos”, afirmou o diretor-executivo da NGO Corretora, Sidnei Nehme, referindo-se ao chamado “Custo Brasil”, que reúne uma série de dificuldades estruturais e burocráticas.
Mesmo diante desse cenário, o BC manteve suas projeções sobre IED em 50 bilhões de dólares para 2012, apostando que o Brasil não deixará de atrair recursos voltados para o setor produtivo. Em 2011, o Brasil recebeu 67,7 bilhões de dólares nestes tipos de investimentos. Nos primeiros seis meses do ano, já ingressaram 29,720 bilhões de dólares, dos quais apenas 5,822 bilhões em junho. (Full Story)
“Apesar de todos os problemas, o IED vai aumentar, mas nós estamos sofrendo muito com os efeitos da crise internacional. A verdade é que nós não estamos mal, mas podemos perder esses fluxos em tais níveis”, afirmou Lima, da Sobeet.
De acordo com pesquisa da Conferência das Nações Unidas para Comércio e Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês) sobre atratividade de países para realização de investimentos, o Brasil perdeu uma posição no ranking de destinos preferenciais entre 2012 e 2014, ficando atrás de Indonésia, Índia, Estados Unidos e China.
Para Lima, as projeções menores de crescimento do Brasil estão pesando na escolha do investidor, principalmente no que se refere a investimentos de longo prazo.
O governo brasileiro cortou a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano de 4,5 para 3 por cento, embora ainda seja melhor que a perspectiva do BC, que enxerga crescimento de apenas 2,5 por cento. O mercado, por sua vez, está ainda mais pessimista, e espera um crescimento abaixo de 2 por cento em 2012. (Full Story) (Full Story)
No outro lado da balança, no entanto, pesa o fato de o Brasil ser considerado um país econômica e politicamente estável, fatores essenciais para o investidor escolher um local para alocar seus fundos.
“O Brasil é uma economia que desde 1999 manteve suas políticas cambial, econômica e fiscal. Temos estabilidade macroeconômica, somos credor do resto do mundo e também temos estabilidade politica”, ponderou o economista-chefe da CM Capital Markets, Darwin Dib.

REUTERS

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