RPT-BC reduz juros a 7,5% e indica corte menor à frente

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O Banco Central reduziu nesta quarta-feira a taxa de juro básica em 0,50 ponto percentual, para 7,50 por cento ao ano, nova mínima histórica, e deixou claro que se houver espaço para um novo corte, esse será feito com “máxima parcimônia”.

Para especialistas, essa mudança de tom mostra que em outubro, quando o comitê do Banco Central se reúne novamente, a taxa poderá sofrer um corte de 0,25 ponto percentual, reduzindo o compasso visto nos últimos três encontros.

No comunicado, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC avaliou que a atividade econômica começou a se recuperar e que os efeitos da redução dos juros ainda não foram sentidos totalmente, e que, por isso, precisa aguardar novos dados para decidir o rumo da política monetária.

“O Copom entende que, se o cenário prospectivo vier a comportar um ajuste adicional nas condições monetárias, esse movimento deverá ser conduzido com máxima parcimônia”, informou o Copom por meio de nota. (Full Story)

A decisão de cortar a taxa Selic foi unânime e veio em linha com a expectativa do mercado.

Pesquisa da Reuters mostrou na semana passada que os 42 analistas consultados previam corte de 0,50 ponto percentual na Selic agora. O levantamento já mostrava também que, pela mediana, os especialistas consultados previam que o BC desaceleraria o ritmo de queda e reduziria a taxa em 0,25 ponto percentual em outubro. (Full Story)

“Percebemos que o Copom foi bem explícito em indicar que o próximo passo vai depender da evolução dos dados, do cenário econômico. Entendo que há indicação de (redução de) 0,25 ponto percentual (em outubro)”, afirmou o economista-chefe do banco WestLB, Luciano Rostagno.

Os dados do Produto Interno Bruto (PIB) do segundo trimestre serão divulgados na sexta-feira, e a expectativa do mercado é que mostrem uma pequena melhora na atividade econômica, por conta dos estímulos monetários e fiscais proporcionados pelo governo.(Full Story)

Nesta quarta-feira, ao anunciar a prorrogação de reduções tributárias para produtos de consumo e bens de capital, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que a economia brasileira está se recuperando, mas ainda precisa de estímulos.

A autoridade monetária prevê que o PIB crescerá 2,5 por cento neste ano, encerrando o ano com uma taxa anualizada de 4 por cento, enquanto que o mercado enxerga crescimento inferior a 2 por cento em 2012.

 

INFLAÇÃO

O tom do comunicado do Copom mudou em relação aos anteriores, que traziam a frase “dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias” e servia de referência para os agentes econômicos apostarem em mais reduções.

Este foi o nono corte seguido na Selic, num total de 5 pontos percentuais. Parte dos analistas acredita, no entanto, que os recentes repiques da inflação podem comprometer a política monetária expansionista e até levar a uma aumento da Selic no próximo ano.

Em agosto, o IPCA-15 –prévia da inflação oficial do país– subiu 0,39 por cento, ante a alta de 0,33 por cento de julho e um pouco acima do esperado pelo mercado. (Full Story)

“O comunicado do Copom deixa claro um corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião. Acho que (na próxima ata) voltará a discussão da inflação, em função das altas recentes dos choques de alimentos e por resistência da inflação de serviços”, afirmou a economista do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), Silvia Matos.

O mercado estima que a inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deva fechar o ano em 5,19 por cento, acima do centro da meta de inflação, de 4,5 por cento, mas dentro da banda de tolerância.

 

CENÁRIO EXTERNO

O atual processo de afrouxamento da política monetária foi iniciado há um ano pelo BC, que aproveitou o cenário externo desinflacionário e de crise para empurrar para baixo a Selic com o objetivo levar a taxa básica para níveis compatíveis com patamares internacionais. (Full Story)

O movimento do BC teve amplo apoio do governo, com a presidente Dilma Rousseff enfrentando questões sensíveis para pavimentar esse caminho, como a mudança nas regras de remuneração da caderneta de poupança, a mais popular forma de aplicação financeira do país.

No comunicado desta quarta-feira, no entanto, o Copom não fez referência ao cenário externo desinflacionário.

 

REUTERS

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